Cardeal Piacenza recorda o legado dos Papas João XXIII e João Paulo II

SanctiO Penitenciário-mor da Santa Sé, Cardeal Mauro Piacenza, falou nesta quarta-feira em Lisboa, Portugal, sobre a canonização dos Beatos João XXIII e João Paulo II, marcada para o próximo dia 27.

Segundo a Agência Ecclesia, o representante vaticano destacou a forma inteligente e corajosa como João XXIII foi capaz de, no seu tempo, “transmitir os valores perenes da Igreja Católica e da tradição cristã”, e ao mesmo tempo abrir espaço “aos novos desafios”, convocando o Concílio Vaticano II.

“Ele não era certamente um inovador, mas tinha uma mente aberta ao Espírito Santo, típica dos homens que não são nem conservadores nem progressistas, mas são homens de Deus”, disse o cardeal.

Ordenado sacerdote em 1969, seis anos após a morte de João XXIII e numa altura em que João Paulo II já fazia parte do Colégio Cardinalício de Roma, o purpurado italiano desenvolveu a sua vocação e missão na vizinhança destas duas figuras, de suas mensagens e ações pastorais.

Sobre Karol Wojtyla (1920-2005), o Cardeal Piacenza sublinhou que ele veio trazer “uma explosão de entusiasmo a uma Igreja Católica que atravessava um período de estagnação”.

“Foi verdadeiramente um grande pontífice que levou ao máximo a necessidade de uma Nova Evangelização, que no âmbito do magistério esteve sempre à altura de todas as situações, com enorme coragem, e que tinha depois enraizado no seu DNA a verdadeira alma missionária da Igreja”, salientou.

Foram essas virtudes heróicas, acrescentou o Penitenciário-mor da Santa Sé, que deram a João Paulo II a capacidade de viajar até aos confins mais remotos da Terra, de falar ao coração das pessoas, sobretudo dos jovens, e remar contracorrente, mesmo nas situações em que “toda a opinião pública apontava outro rumo”.

O Cardeal Piacenza está em Portugal desde terça-feira participando de uma de uma reunião internacional da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, organismo responsável por projetos de apoio às comunidades cristãs em mais de 140 países. O purpurado é o presidente da fundação.

Esta manhã, durante a eucaristia celebrada na Igreja de Santo Antônio, em Lisboa, o Cardeal Piacenza recordou aos responsáveis das diversas delegações de AIS, a importância de uma fé testemunhada através de ações concretas.

“A pregação muitas vezes passa ao lado das pessoas, mas o testemunho permanece”, frisou o purpurado, incentivando os delegados a enfrentarem com coragem os desafios atuais, especialmente num tempo em que a perseguição religiosa é uma realidade cada vez mais presente, em países como a Nigéria, Síria, Sudão e Iraque.

Para o Penitenciário-mor da Santa Sé, “é uma dor imensa ver o decréscimo da presença cristã nesses países, pessoas obrigadas a fugir em busca de segurança, quando por natureza, o cristianismo colabora sempre com a causa da paz e privilegia a sã convivência com as outras religiões”.

A Fundação AIS deve continuar “a ajudar e confortar as populações locais e, no âmbito das estruturas, ajudar a sensibilizar a opinião internacional para um direito, a liberdade religiosa, que é de todos”, concluiu.

Por MJ/Agência Ecclesia


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