A devoção filial à Virgem Maria

O Papa São João Paulo II sempre deixou patente, ao longo de sua vida e, sobretudo, de seu pontificado, sua irrestrita devoção à Virgem Maria. O lema de seu ministério sacerdotal, episcopal e petrino, “Totus Tuus”, que significa “Todo Teu”, expressa a sua devoção e consagração, a sua entrega total nas mãos da Virgem Maria. Este lema nasceu da consagração a Virgem Maria, segundo o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” de São Luís Maria Grignion de Montfort: “Totus tuus Mariae” (Todo Teu, Maria). A letra “M” e a cor azul no seu brasão simbolizam o seu amor filial. Ao escapar do atentado sofrido na tarde de 13 de maio de 1981, em plena Praça de São Pedro, no Vaticano, durante uma de suas audiências das quartas-feiras, o Pontífice atribuiu à intercessão miraculosa de Nossa Senhora o fato de ter sobrevivido. A data da malfadada ocorrência, aliás, é especialmente associada às aparições da Virgem em Fátima.

Destacamos aqui sua especial devoção, como filho da pátria polonesa, à Nossa Senhora do Monte Claro. Também conhecida como Jasna Góra (Monte Claro) e Virgem Negra de Częstochowa.

Nossa Senhora do Monte Claro

Todos admiramos o belíssimo quadro representado a Santíssima Virgem que, segundo a tradição, é copia do quadro pintado pelo apóstolo S. Lucas. Santa Helena, esposa de Constantino, imperador romano convertido ao catolicismo, ofereceu-o ao esposo que conservou devotamente, na capela imperial, e dele fez inúmeras cópias que foram espalhadas em muitos lugares. Essa cópia fiel esteve em diversos países, como Hungria e Rússia, até que o príncipe Ladislau, em 3 de agosto de 1382, grato a Virgem por ter obtido graças extraordinárias na defesa de seu castelo, levou o quadro à colina que se chama Jasna Góra, em português: Monte Claro.

Com o auxílio do rei da Polônia Ladislau Jagiello e do povo foi construído o primeiro santuário onde a mão misericordiosa da Mãe espalhou as graças mais escolhidas aos devotos que afluíram, desde então, de todas as partes. Em 1430, os hussitas querendo se apoderar do quadro, bem como de todos os bens do Santuário e não o conseguindo, o chefe levantou sua espada contra o quadro e deu dois golpes em seu rosto. Ao tentar o terceiro golpe, teve a mão paralisada, caído ele e seus companheiros fulminados por um raio.

Nesse mesmo ano, e nos anos de 1632, 1705 e 1925, o mesmo quadro foi retocado em sua pintura, mas as cicatrizes do rosto não desapareceram. Foi este sem dúvida um sinal da presença de Nossa Senhora.

A história narra de que, na batalha de 13 de novembro e 26 de dezembro de 1655, 200 soldados poloneses lutaram e venceram 17.000 suecos que desejavam atacar e saquear o Mosteiro e a Basílica dedicada à Santíssima Virgem. Mais um motivo para que o papa, no ano de 1656 declarasse oficialmente Nossa Senhora do Monte Claro (Jasna Gora – Częstochowa) Rainha e Padroeira da Polônia. Inúmeros são os milagres e curas, bem como conversões de pecadores empedernidos, ao rezarem pedindo a proteção de Nossa Senhora do Monte Claro.

São famosas as romarias a pé que, em agosto, partem de diversas cidades da Polônia para chegar no dia da Festa Solene – 26 de agosto a Częstochowa. Alguns grupos percorrem até 600 km e o que impressiona – maioria são os jovens estudantes!
Em 1956, Por ocasião da consagração, um milhão e duzentas mil pessoas foram prestar suas homenagens à Protetora da Polônia.

No dia 16 de outubro de 1978, os sinos de todas as igrejas da Polônia tocavam festivamente, anunciando que um filho da Polônia martirizada, mas sempre fiel, Karol Wojtyla, Cardeal, fora eleito Papa, sucessor de São Pedro, com o nome João Paulo II.

João Paulo II, antigo Arcebispo de Cracóvia, no dia seguinte à sua eleição, escreveu ao Primaz da Polônia uma carta, e terminou dizendo: “não haveria na sede de São Pedro um papa polonês, se não houvesse o Monte Claro e o maravilhoso Primaz com sua fé heróica e inabalável confiança em Maria, Mãe da igreja.”

Cumpre ressaltar ainda a data de 1982, quando se comemorou os 600 anos do reinado maternal da Virgem de Częstochowa, e o Papa João Paulo II alimentava o grande desejo de ir agradecer pessoalmente a Maria a proteção Materna à sua Pátria, mas o governo comunista não o permitiu, transferindo a peregrinação para 1983. E graças a bondosa proteção da Virgem, a Polônia ficou livre do jugo comunista.

Inúmeros são os milagres de curas e conversões de pecadores, ao entrarem no Santuário da Virgem de Częstochowa. Maria espera a todos e ajuda aqueles que reconhecem Ela como Mãe de Deus e seguem os passos do Seu Filho Jesus Cristo.

Oração do Papa João Paulo II no Santuário de Nossa Senhora do Monte Claro
(Częstochowa, 4 de junho de 1997)

Ó Mãe de Deus, ó Virgem, por Deus és glorificada!”.

Mãe de Jasna Góra e Rainha, venho hoje a Ti numa peregrinação de fé, para Te agradecer a incessante protecção sobre a Igreja inteira e sobre mim, especialmente durante os cinquenta anos do meu sacerdócio e os do meu serviço na Sé de Pedro. Com grande confiança me apresento neste santo lugar — na Colina de Jasna Góra, tão caro ao meu coração — para mais uma vez exclamar: Mãe de Deus e nossa Mãe, agradeço-Te ser a Estrela Polar da construção dum futuro melhor para o mundo, ser a Padroeira da edificação da civilização do amor em todo o género humano. Mãe, peço-Te humildemente, circunda com a tua protecção materna os dias e os anos que ainda nos separam do ano 2000. Confio à tua intercessão a preparação para o Grande Jubileu do Cristianismo. Ajuda todas as nações do mundo a iniciarem o novo milénio em união com Cristo — Rei dos séculos.

Mãe da Igreja, Virgem Auxiliadora, na humildade da fé de Pedro trago aos teus pés a Igreja inteira, todos os continentes, países e nações, que acreditaram em Jesus Cristo e reconheceram n’Ele o sinal-guia no caminho através da história. Aqui trago, ó Mãe, a humanidade inteira, também aqueles que ainda estão em busca do caminho rumo a Cristo. Sê para eles guia e ajuda-os a abrir-se ao Deus que vem. Trago-Te na oração os povos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e confio à tua solicitude materna todas as famílias das nações. Mãe da fé da Igreja, assim como perseveravas no Cenáculo de Jerusalém, em oração com os discípulos de Cristo, assim está hoje connosco no Cenáculo da Igreja rumo ao segundo milénio da fé e obtém-nos a graça de nos abrir ao dom do Espírito de Deus.

Templo do Espírito Santo, hoje, no Santuário de Jasna Góra, rendo-Te graças por todo o bem que se tornou parte da minha nação em anos de profundas transformações. Durante a minha primeira peregrinação na Pátria, implorei para que sobre ela fosse derramado o Espírito Santo, invocando: «Desça o Teu Espírito! E renove a face da terra, desta Terra» (Varsóvia, Praça da Vitória, 2 de Junho de 1979; ed port. de L’Osservatore Romano de 10 de Junho de 1979, pág. 6). Mais tarde visitei a terra polaca com as Tábuas do Decálogo. Para aqui eu trouxe os jovens do mundo inteiro. Sempre retornei à minha Pátria por uma necessidade do coração, trazendo uma mensagem de fé, de esperança e de caridade.

A história da nossa Pátria à margem do Vístula está marcada com o testemunho da fé de Santo Adalberto, e também de tantos Santos polacos e candidatos aos altares, e ainda com a labuta de muitas gerações, que consolidavam a Polónia fiel a Cristo. Durante dez séculos nós permanecemos uma Nação baptizada, fiel a Ti, ao Teu Filho, à Sua Cruz e ao Evangelho, à Santa Igreja e aos seus Pastores.

Venho hoje a Ti, ó Mãe, para exortar os meus Irmãos e as minhas Irmãs a perseverarem ao lado de Cristo e da sua Igreja, para encorajar a um uso sábio da liberdade reconquistada, no espírito daquilo que há de mais belo na nossa tradição cristã.

Rainha da Polônia, recordando com gratidão a tua protecção materna, confio-Te a minha Pátria, as transformações sociais, económicas e políticas, que nela se verificam. Que o desejo do bem comum supere o egoísmo e as divisões. Que todos aqueles que exercem um serviço público vejam em Ti a humilde Escrava do Senhor, aprendam a servir e a reconhecer as necessidades dos compatriotas, como o fizeste Tu em Caná da Galileia, a fim de que a Polónia possa tornar-se uma Nação, onde reinem o amor, a verdade, a justiça e a paz. Seja glorificado nela o nome do teu Filho.

Filha Fiel do eterno Pai, Templo do Amor que abraça o céu e a terra, confio-Te o serviço da Igreja no mundo, que tem tanta necessidade de amor. Mãe de Deus, Mãe do Filho unigénito, que nos deu como princípio de vida o mandamento novo do amor, obtém-nos a graça de nos tornarmos construtores de um mundo solidário, no qual a paz vença a guerra, e a civilização da morte seja substituída pelo amor à vida.

Que o Congresso Eucarístico Internacional em terra polaca se torne para todas as nações o início de um milagre de transformação, no espírito da liberdade, trazida pelo Evangelho de Cristo. Que a humanidade se ponha com firmeza ao lado de Deus, a Quem pertence o mundo inteiro.

Mãe da Unidade e da Paz, fortalece o vínculo de comunhão na Igreja do teu Filho, reaviva os esforços ecuménicos, a fim de que todos os cristãos, em virtude do Espírito Santo, se tornem uma família de irmãs e de irmãos de Jesus Cristo, único Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre (cf.Hb 13, 8).

Virgem, Mãe de Deus, ajuda-nos a entrar no terceiro milénio do cristianismo através da porta santa da fé, da esperança e da caridade.

Ó clemente, ó pia, ó doce Virgem Maria, aceita a  nossa confiança, refortalece-a nos nossos corações  e apresenta-a diante da face do Deus único na Santíssima Trindade. Amém!

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A Oração à Nossa Senhora do Monte Claro e a Bênção de seu Óleo Perfumado podem ser acessadas aqui.


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