Início da vida religiosa

Em 1939, a Alemanha nazista invade a Polônia. Começava a II Guerra Mundial. A Universidade Jaguelônica foi fechada e em todo o país todos os homens aptos foram convocados pelas forças ocupantes ao trabalho. Karol trabalhou num restaurante, numa pedreira e na indústria química Solvay para evitar ser deportado para a Alemanha. Em 1941, seu pai falece e ele fica sozinho, sem família direta, passando a morar com um amigo e seus pais. Por essa época, passa a pensar seriamente em ingressar na vida religiosa. Em 1942, dirigiu-se ao palácio do Arcebispo de Cracóvia e declarou seu interesse de iniciar os estudos religiosos. Logo começou a cursar o seminário clandestino dirigido pelo Arcebispo de Cracóvia, o Cardeal Adam Stefan Sapieha. Ao mesmo tempo, foi um dos promotores do Teatro Rapsódico, também clandestino.

Em 1944, foi ferido por um caminhão alemão e hospitalizado. O acidente e a recuperação durante 15 dias serviram como uma confirmação da vocação religiosa para Karol Wojtyła. Em 6 de agosto de 1944, Karol escapou de ser preso pelos alemães, que recolheu todos os homens jovens de Cracóvia para evitar levante semelhante ao que ocorrera em Varsóvia, escondendo-se no porão da casa de seu tio enquanto os alemães vasculhavam os andares superiores. Mais de 800 homens foram capturados naquele dia, mas ele escapou para o palácio do Arcebispo, onde permaneceu escondido até que a situação melhorasse.

Em janeiro de 1945, os alemães deixaram a cidade e Karol voltou a estudar no seminário, reaberto. Nesse mesmo mês, ajudou a judia Edith Zierer, que fugira de um campo de trabalho em Częstochówa, a instalar-se com segurança em Cracóvia. A B’nai B’rith e outras autoridades judaicas afirmam que Karol ajudou a proteger muitos outros judeus poloneses dos nazistas durante a ocupação.

Ao completar os estudos em Cracóvia, foi ordenado padre em 1º de novembro de 1946 pelo Cardeal Sapieha e mandado para estudar teologia em Roma, onde, por 2 anos, estudou no Angelicum, universidade eclesiástica dirigida pelos dominicanos. Nesse período, aproveitava suas férias para exercer o ministério pastoral entre os imigrantes poloneses na França, na Bélgica e na Holanda. Em 1948, doutorou-se em teologia, com tese sobre São João da Cruz, e retornou à Polônia.

De volta à sua terra natal, Padre Karol foi vigário em diversas paróquias de Cracóvia, até 1951. Foi ao chegar ao vilarejo de Niegowić, a 15 quilômetros de Cracóvia, que pela primeira vez se ajoelhou e beijou o solo, gesto adaptado de São João Maria Vianney e que se tornaria uma das marcas registradas de seu Papado.

Padre Karol posteriormente ensinou ética na Universidade Jaguelônica e na Universidade Católica de Lublin. Enquanto ensinava, formou um grupo de jovens que se denominava Rodzinka, “pequena família”, que se encontrava para rezar, discutir filosofia e ajudar os cegos e doentes, além de praticar atividades como esqui e caiaque.

Em 1954, obtém seu segundo doutorado em filosofia, em Lublin, com uma tese sobre ética católica baseada no sistema ético de Max Scheler, porém não recebeu o título até 1957, por impedimento do então governo comunista polonês. Interagiu com ilustres representantes do catolicismo polonês, especialmente da vertente conhecida como “tomismo lublinense”. Escreveu uma série de artigos para o jornal católico de Cracóvia Tygodnik Powszechny, tratando de assuntos contemporâneos da Igreja, e criou um trabalho literário durante seus primeiros 12 anos como padre; a guerra, a vida sob o comunismo e suas responsabilidades pastorais eram temas que compunham sua poesia e peças de teatro. Publicava esse trabalho sob dois pseudônimos, Andrzej Jawień e Stanisław Andrzej Gruda, para distingui-los de seus textos religiosos, publicados sob seu nome verdadeiro.


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